Carioca do Méier, João Batista Nogueira Júnior, filho de um violonista do regional do Rogério Guimarães, teve seu batismo de fogo de sambista na voz da divina Elizeth Cardoso, que gravou, em 1970, sua Corrente de Aço. O próprio João estrearia como cantor, em seguida, em Quem Samba Fica, sugestivo título de um disco "pau-de-sebo" articulado pelo produtor e radialista Adelson Alvez.

Prestava tributos à dedicação materna (Mulher Valente é Minha Mãe) e ao bicheiro Natal, lendário presidente de sua escola, a Portela (O Homem de Um Braço Só). Ao lado de bambas com D. Ivone Lara e Aniceto, do Império Serrano, João "ficou". Deslanchou sua carreira de compositor e cantor de samba, de emissão coloquial e divisão sincopada, na linha dos mestres Geraldo Pereira e Wilson Batista, incluído aqui em Louco (Ela é seu Mundo), de um disco gravado em 1981, em que tributava ainda Noel Rosa, o terceiro vértice de suas influências.

Defensor da tradição, Nogueira fundou e presidiu o Clube do Samba, cujo hino divide com outro bamba, Martinho da Vila, em gravação de 1983.

Rebate a influência estrangeira na irônica Eu Não Falo Gringo, letra do grande poeta e ensaísta Nei Lopes, o mesmo que descola uma farmácia nas beberagens do Boteco do Arlindo. Com outro parceiro ilustre, Paulo César Pinheiro, ele exalta o jurista Sobral Pinto na pregação por eleições diretas em Vovô Sobral (de 1984) e o Poder da Criação, num dos grandes sucessos da dupla. Além de mais parceiros, como Paulo Cesar Feital no protesto Jornal Cantado, e Edil Pacheco no jongo De Amor é Bom e no hilário sucesso Se Segura Segurança (com Dalmo Castello), João Nogueira ainda grava uma rara canção do violonista Raphael Rabello (Retrato de Saudade). Pérolas de um sambista que nasceu refinado em berço de choro.

– Tarik de Souza