Tim Maia meio que introduziu o funk e soul na MPB ao voltar de uma longa viagem de "estudos" nos EUA. Voz inconfundível e composições muito originais lhe conferiram uma obra riquíssima e muito conhecida. De canções inesquecíveis e divertidas como Ascenda o Farol, a outras mais políticas (e censuradas por ele próprio), como todo o album Racional, passando pelas leves e frugais como Do Leme ao Pontal e Chocolate.

Para melhor compreender essa personalidade da música brasileira, lanço mão de um apetitoso trecho do livro Noites Tropicais de Nelson Motta (cuja “trilha sonora” está aqui):

Tim foi a Londres e se esbaldou. Fumou, cheirou, bebeu, viajou de ácido, ouviu música, brigou com a mulher — tudo muito — e voltou para o Brasil com 200 doses de LSD para distribuir aos amigos. Assim que chegou foi à [gravadora] Philips, que ele chamava de "Flips", onde visitou diversos departamentos, começando pelos que considerava muito caretas, como contabilidade e jurídico, onde cumprimentava o titular e repetia o mesmo discurso, com voz pausada e amistosa:

"Isto aqui é um LSD, que vai abrir sua cabeça, melhorar a sua vida, fazer de você uma pessoa feliz. É muito simples: não tem contra-indicações, não provoca dependência e só faz bem. Toma-se assim."

Jogava um ácido na boca e deixava um outro na mesa do funcionário atônito. Como era um dos maiores vendedores de discos da companhia, todo mundo achou graça.[...] E Tim voltou para casa viajandão, dirigindo seu jipe e certo de que tinha salvado a alma da "Flips".